Folha de pagamento passo a passo: manual completo

O que você precisa saber para fazer e fechar folha de pagamento está neste artigo.

Uma pessoa analisa um documento de "Return on Investment" preso a uma prancheta. Suas mãos aparecem em segundo plano manuseando uma calculadora sobre a mesa de trabalho.

A folha de pagamento faz mais do que seu próprio nome indica: além de servir para uma empresa pagar salários corretamente, ela reúne informações trabalhistas, previdenciárias, fiscais, financeiras e operacionais que impactam diretamente o compliance, a experiência dos colaboradores e o risco de passivos trabalhistas.

Não à toa, ela se prova essencialmente importante, principalmente no cenário atual – com o eSocial consolidado, o FGTS Digital em operação, obrigações cada vez mais específicas e fiscalizações automatizadas.

Sem mencionar a integração crescente entre Receita Federal, Ministério do Trabalho e Previdência Social!

Erros na folha passaram a gerar consequências muito mais rápidas para as organizações ao redor de todo o país, por isso, entendê-la deixou de ser responsabilidade exclusiva do Departamento Pessoal.

Neste guia completo, aprenda:

  • O que é e como funciona a folha de pagamento
  • O que diz a CLT sobre ela
  • O que entra nesse documento
  • Como calcular salários, descontos e encargos
  • E muito mais!

Boa leitura.

O que é a folha de pagamento?

A folha de pagamento é, ao mesmo tempo, um documento e um conjunto de processos que uma empresa usa para registrar remunerações, descontos, encargos e pagamentos relacionados aos seus colaboradores.

Como um consolidado mensal das obrigações trabalhistas de cada instituição, ela contém informações de tudo o que a empresa deve pagar, descontar ou recolher em relação aos colaboradores.

O que exatamente entra na folha de pagamento?

Se você precisa criar e/ou preencher esse documento, saiba que ele é composto por proventos, descontos, encargos e dados cadastrais. Redobre a atenção às informações registradas!

1. Proventos

O que são? Todos os valores que o colaborador tem direito a receber.

Exemplos: salário base, horas extras e seus adicionais, adicional noturno, adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, comissões, bônus, premiações, descanso semanal remunerado (DSR).

2. Descontos

O que são? Valores descontados do pagamento total que seria feito ao colaborador; aqueles que fazem o salário líquido ser diferente do salário bruto.

Exemplos: desconto previdenciário (INSS), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), vale-transporte, faltas e atrasos, pensão alimentícia em caso de determinação judicial, plano de saúde e outros benefícios trabalhistas.

3. Encargos

O que são? Valores e obrigações trabalhistas, previdenciárias e tributárias pagos pela própria empresa além do salário do colaborador. Embora não descontados diretamente do salário, fazem parte do custo total da contratação.

Exemplos: FGTS, INSS patronal, RAT/FAP, contribuições para terceiros, contribuições de férias e 13º salário.

4. Dados cadastrais

O que são? Informações obrigatórias da empresa e do colaborador usadas para identificar corretamente o vínculo empregatício, processar a folha e cumprir exigências legais, fiscais e previdenciárias.

Exemplos: em relação ao colaborador – nome completo, CPF, cargo e função, data de admissão, salário e jornada em contrato, departamento; em relação à empresa – razão social, CNPJ, CNAE, endereço, dados de contato.

Para que serve a folha de pagamento hoje?

É esse o documento que conecta RH e DP, financeiro e contabilidade, empresa e colaboradores e empresa e governo. Além de servir como base para o pagamento dos salários, a folha também é essencial para:

  • Cálculo de encargos sociais
  • Envio de informações ao eSocial
  • Geração do FGTS Digital
  • Comprovação de pagamentos
  • Auditorias e fiscalizações
  • Apresentação em ações trabalhistas
  • Emissão da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb)

Nela, estão registrados todos os valores pagos aos colaboradores, permitindo comprovação legal e financeira da remuneração, garante conformidade com a CLT, a legislação previdenciária e normas tributárias no geral e serve como base para o cálculo de impostos e benefícios.

E, quando devidamente elaborada, a folha ainda ajuda a empresa a controlar melhor os gastos com mão de obra e a construir uma relação mais transparente com seus funcionários.

Como fazer folha de pagamento?

Entenda o que diz a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sobre o tema e assuntos correlatos e, só então, entre em ação: colete informações, decida se vai organizá-las manualmente ou de forma automatizada e adeque outros processos mensais de RH e DP para um bom resultado final.

1. Entenda o que diz a CLT sobre folha de pagamento

A CLT não define um modelo único obrigatório de folha, mas estabelece diversas regras ligadas ao pagamento de salários, aos descontos, a prazos e verbas trabalhistas e às obrigações dos empregadores.

Quanto melhor você conhecê-la, mais sucesso na gestão de pessoas e finanças!

2. Colete todas as informações necessárias

Faça um controle adequado de ponto e registro de jornada, um monitoramento assertivo de banco de horas e/ou horas extras e também um manejo atento de atestados, férias, admissões, desligamentos e afastamentos. Caso contrário, a folha nunca estará completa.

E atenção: você pode até escolher fazer tudo isso “à mão”, mas a recomendação de especialistas é usar softwares feitos para a gestão de RH.

Por quê? Pois sistemas especializados ajudam a centralizar dados, automatizar cálculos, reduzir falhas humanas, integrar informações ao eSocial e diminuir drasticamente riscos de inconsistências trabalhistas, fiscais e previdenciárias. Além disso, eles aceleram o fechamento da folha.

Sem contar que, depois da coleta, começam os cálculos!

A automatização, com certeza, vai ajudar.

3. Processe os dados da folha

Processe proventos, descontos, encargos, tributos, incidências legais e regras sindicais, ou seja, transforme todas as informações coletadas ao longo do mês em cálculos trabalhistas e previdenciários efetivos para chegar ao valor líquido que cada colaborador deve receber e ao valor total que a empresa deve recolher em encargos e tributos.

Você aprende exatamente como executar esses cálculos um pouco mais adiante, neste mesmo artigo.

4. Confira as informações e faça o fechamento

Finalizadas todas as contas, confira inconsistências, divergências de registros de ponto, descontos, eventos do eSocial, admissões, desligamentos e alterações salariais.

Prefira fazer isso nos últimos dias do mês ou nos primeiros dias do mês seguinte para ter tempo hábil de identificar inconsistências, corrigir divergências, recalcular valores e garantir que salários, encargos e obrigações acessórias sejam enviados corretamente dentro dos prazos legais.

E lembre-se de levar em conta, na conferência, mudanças salariais, acordos coletivos, admissões recentes, afastamentos previdenciários, férias, banco de horas, descontos variáveis e qualquer alteração que possa impactar diretamente os cálculos da folha.

5. Colete as assinaturas necessárias

A folha de pagamento não precisa, obrigatoriamente, de assinaturas, mas essa etapa é altamente indicada para empresas que querem se precaver – inclusive porque, atualmente, existe a possibilidade de a coleta das assinaturas acontecer digitalmente!

Se você optar por fazê-la, garanta autenticidade, rastreabilidade, integridade documental e comprovação de acesso às informações.

Só então siga para o pagamento dos salários.

6. Pague os salários dos colaboradores

Faça isso até o quinto dia útil do mês subsequente ao mês trabalhado para estar de acordo com as exigências do artigo 459 da CLT e evitar juros, multas, correções monetárias e problemas jurídicos.

Se a sua empresa seguir acordos e convenções coletivas que estabelecem prazos diferentes para esse pagamento, atenha-se a eles.

7. Cumpra com as obrigações fiscais e previdenciárias

Registre, no eSocial, tudo o que é necessário por parte da empresa e dedique-se ao cumprimento de obrigações ligadas ao FGTS Digital, à DCTFWeb, à Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf), ao DARF previdenciário e outros.

Não se esqueça! Hoje, grande parte da fiscalização ocorre por cruzamento automático de dados.

Sua planilha foi enviada para
seu e-mail.

Caso não receba, lembre-se de conferir o SPAM ou Lixo eletrônico.

8. Dê acesso às informações para todos os colaboradores

Por último, mas não menos importante, saiba que a empresa não é obrigada a entregar um holerite aos funcionários, mas tem a obrigação de lhes permitir acessar informações detalhadas sobre sua remuneração e descontos.

Cumpra com essa obrigação também!

Folha de pagamento e holerite são a mesma coisa?

Não. A folha de pagamento é o consolidado geral da empresa, enquanto o holerite ou contracheque é o demonstrativo individual do trabalhador.

Nele aparecem salário bruto, descontos, benefícios, adicionais e salário líquido calculados, justamente, na contabilidade dos valores da própria folha.

Como calcular folha de pagamento?

O cálculo da folha, enfim, depende da soma correta dos proventos e da aplicação adequada dos descontos e encargos.

Anote o que você precisa saber agora!

Salário bruto

salário base + horas extras + adicionais + comissões + bônus + demais proventos

Salário líquido

salário bruto - descontos obrigatórios - descontos autorizados

Valor da hora normal

salário base ÷ jornada mensal contratual

Hora extra

valor da hora normal + percentual adicional previsto

FGTS

remuneração do colaborador x 8%

Férias

salário mensal + ⅓ constitucional

13º salário

(salário bruto ÷ 12) × quantidade de meses trabalhados no ano

INSS

aplicação das alíquotas progressivas sobre as faixas salariais vigentes

IRRF

(base tributável - deduções legais) × alíquota correspondente da tabela vigente

Descanso Semanal Remunerado (DSR)

(soma das horas extras ÷ dias úteis) x domingos e feriados do mês

“Identifiquei um erro! E agora?”

Se há erro na folha, corrija-o imediatamente: faça a retificação dos registros necessários, ajuste os valores pagos ou descontados incorretamente e, quando cabível, envie eventos retificadores ao eSocial e às demais obrigações acessórias relacionadas.

Além disso, documente todas as correções realizadas para garantir rastreabilidade e reduzir riscos em futuras auditorias ou ações trabalhistas.

Sem correções ou mesmo em casos de atrasos, os riscos para empresas incluem multas, ações trabalhistas, passivos previdenciários, problemas com a Receita Federal ou no eSocial e desgaste do clima organizacional.

Outra informação bastante válida!

As principais falhas cometidas hoje em dia não estão somente no cálculo incorreto de salário ou horas extras. Muitas delas têm a ver com divergências no banco de horas, descontos indevidos, marcações erradas de ponto, classificação incorreta de verbas e  falhas tributárias.

Sem contar que pequenos erros acumulados e não percebidos logo de cara acabam levando a passivos trabalhistas relevantes com o passar do tempo!

Como evitar erros na folha de pagamento?

Mais uma vez, a solução está na automatização: o uso de soluções específicas para controle de jornada e cálculo de folha permite a organização dos processos, reduzindo drasticamente riscos e falhas e até acelerando o fechamento mensal.

Quando a folha de pagamento está integrada ao controle de ponto da empresa, por exemplo, as divergências são minimizadas! E todo mundo ganha em termos de produtividade também.

Vale a pena automatizar.

Como escolher um sistema de folha de pagamento?

Escolher um bom sistema de folha de pagamento exige atenção não apenas ao preço, mas também à segurança, integração e capacidade de automatização da ferramenta.

Veja um passo a passo simples para acertar:

  1. Mapeie as necessidades da sua empresa (número de colaboradores, rotinas que precisam de automação, integrações indispensáveis etc.)
  2. Verifique integração com eSocial e controle de ponto
  3. Avalie recursos, relatórios e indicadores disponíveis nas melhores soluções do mercado
  4. Confira a segurança de dados e conformidade com LGPD
  5. Verifique se existe consulta online de holerite, informes de rendimento e históricos salariais (opcional, mas recomendado)
  6. Considere suporte e atualização legislativa dos sistemas considerados
  7. Escolha aquele que ofereça integração com o eSocial, registro de ponto e banco de horas e, se possível, automação de cálculos e emissões digitais

Já que, por Lei, a sua empresa é obrigada a fazer folha de pagamento, também é sua responsabilidade garantir que ela seja precisa, organizada, atualizada e compatível com todas as exigências trabalhistas, fiscais e previdenciárias vigentes.

Use a tecnologia como aliada estratégica!

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