
Sua empresa deve migrar da escala 6x1 para a 5x2? Mapeie quantas pessoas trabalham por dia e por posto atualmente, calcule como a redução dos dias trabalhados afeta essa cobertura, distribua as novas folgas e teste a(s) escala(s) antes de colocá-la(s) em prática.
O óbvio você já sabe: na escala 6x1, cada colaborador trabalha seis dias e folga um, enquanto na 5x2, são cinco os dias de trabalho e os dois de descanso. Agora, é fundamental você lembrar: se a empresa continuar funcionando seis ou sete dias por semana, existe um desafio que vai além da folga adicional – o de manter todos os postos cobertos enquanto cada pessoa trabalha um dia a menos.
Suas decisões precisam estar embasadas a partir de simulações e análises, mas compreender tudo o que engloba a migração aparece como primeiro passo dessa jornada. Esperamos lhe ajudar no decorrer deste artigo!
O fim da escala 6x1 já foi aprovado?
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 que trata do fim da escala 6x1 foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados em 27 de maio de 2026 e até o final do mês de agosto tramitava no Senado.
Se o Senado também aprová-la e, portanto, concordar com o texto já aprovado pela Câmara, a PEC poderá ser promulgada pelo Congresso Nacional ainda em 2026. Se houver mudança de mérito, o texto precisará retornar à Câmara e o processo se prolongará.
Enquanto isso, a escala 6x1 continua legalmente permitida em empresas ao redor de todo o país. De qualquer forma, acordos ou convenções podem determinar a realização de outros formatos de jornada em diferentes organizações, inclusive a jornada de 40 horas semanais.
O que você precisa saber sobre o fim da escala 6x1
Uma informação importante para gestores e profissionais de RH é a de que o fim da escala 6x1, se aprovado no Congresso Nacional, acontecerá em forma de transição e não todo de uma vez.
Pela proposta que está, hoje, no Senado:
- Nos primeiros 60 dias após a promulgação, continuam valendo as regras atuais
- Depois desses 60 dias, o limite passa de 44 para 42 horas semanais e passam a ser garantidos dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos
- 12 meses depois dessa primeira redução, o limite definitivo passa para 40 horas semanais
De qualquer maneira, existe uma mudança importante para as empresas já no primeiro marco: os dois dias de repouso entram junto com o limite de 42 horas, por isso, esperar a jornada chegar às 40 horas para redesenhar a escala seria tarde demais.
Entenda as diferenças entre escala 6x1 e 5x2
Prepare-se antes mesmo de qualquer redução legal de jornada no país!
Na escala 6x1, seus colaboradores trabalham seis dias e descansam um, enquanto na 5x2 vão trabalhar cinco dias e descansar dois. Isso mexe com folga adicional, carga semanal e registro de ponto, mas não impacta em redução salarial.
Para você analisar:
Escala 6x1 (hoje)
- Dias trabalhados: seis
- Dias de descanso: um
- Limite de jornada semanal: 44 horas
Escala 5x2 (se aprovada a PEC como está)
- Dias trabalhados: 5
- Dias de descanso: dois, sendo um preferencialmente no domingo
- Limite de jornada semanal: 40 horas
- Média da carga horária em 5 dias: 8 horas
Como você viu anteriormente, qualquer empresa já pode adotar escala 5x2 através de acordos ou convenções, mas isso não significa, necessariamente, reduzir a jornada para 40 horas.
Agora, se aprovada a PEC, adaptar-se ao texto trazido por ela vai significar, de fato, preparar a operação para dois dias de repouso e, progressivamente, para os limites de 42 e 40 horas semanais.
Tudo certo até aqui?
Como migrar da escala 6x1 para 5x2? Dicas essenciais
Para migrar da 6x1 para a 5x2, você precisa saber primeiro o que sua operação exige. Só depois será possível decidir sobre trabalho e folga de cada colaborador.
Faça o seguinte:
1. Analise o cenário atual
Sem mexer na escala, faça um levantamento de dados por colaborador:
- Carga horária contratual
- Jornada diária praticada
- Horário de entrada, saída e intervalo
- Dia de folga
- Posto ou função que cobre
- Trabalho aos domingos e feriados
- Saldo atual do banco de horas
- Horas extras recorrentes
Então, transforme essas informações em cobertura operacional: quantas pessoas trabalham na segunda? E na terça? Quantas você tem no sábado? Quantas são necessárias em cada turno?
2. Defina a cobertura mínima necessária para a operação
Responda quantas pessoas precisam estar trabalhando e, assim, defina seu mínimo operacional por dia, turno e posto. É esse número que sua nova escala precisa respeitar.
3. Calcule o que você perde na migração
Pensando em dias de trabalho e em funcionários na escala, descubra quantos dias-pessoa a menos você terá para distribuir. Anote isso!
Colaboradores à disposição × dias trabalhados na semana =
quantidade de dias-pessoa disponíveis por semana Tome como exemplo uma equipe de 12 pessoas:
- Escala 6x1 – 12 colaboradores x 6 dias = 72 dias-pessoa disponíveis por semana
- Escala 5x2 – 12 colaboradores x 5 dias = 60 dias-pessoa disponíveis por semana
São 12 dias-pessoa a menos para distribuir, o que não significa automaticamente que a empresa precise contratar 12 “diárias” de trabalho, mas que o RH precisa entender se o novo número faz sentido para a necessidade real da operação.
4. Redistribua também as horas
Depois de saber quem precisa estar presente, calcule por quanto tempo, lembrando-se de que 40 horas ÷ 5 dias = 8 horas trabalhadas por dia por colaborador.
Distribua as novas escalas observando banco de horas vs. horas extras, regras de compensação, a legislação aplicável e os acordos ou convenções coletivas de cada categoria. Além disso, considere que o intervalo intrajornada não entra na duração do trabalho.
5. Finalmente, estabeleça os dois dias de folga
Com os dias e horários calculados, distribua os descansos pensando em dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, conforme a PEC que extingue a escala 6x1.
Atente-se à palavra “preferencialmente”, pois ela mostra que nem todas as operações funcionarão com todo mundo descansando sábado e domingo e que a própria PEC preserva espaço para regras diferenciadas e negociação coletiva em determinados regimes.
Além disso, convenções coletivas já podem estabelecer condições específicas para domingos, feriados e organização das escalas.
6. Confira se a sua empresa está de acordo com outras normativas e acordos
Antes de fechar a grade:
- Confira a CCT ou ACT aplicável
- Identifique regras específicas para domingos e feriados
- Garanta distribuição das folgas de acordo com a cobertura mínima
- Confira se a sequência de jornadas e descansos respeita as regras aplicáveis à categoria
No mais, verifique se existem postos que não podem ficar sem substituto e se está tudo certo em relação a eles. Só considere a migração de jornada e, consequentemente, uma nova escala depois dessa validação.
7. Teste a mudança antes de oficializá-la
Durante pelo menos uma semana real da operação – se possível aquela com dias fortes e fracos –, aplique e teste a nova escala, marcando detalhes importantes sobre ela, como:
- Cobertura mínima
- Pessoas escaladas
- Folgas
- Horários de entrada e saída
- Intervalos
- Horas excedentes
- Eventuais déficits de pessoal
Ajuste tudo o que considerar necessário, analisando também a opinião tanto de gestores quanto dos colaboradores sobre a mudança. Então, valide o desenho.
Tudo pronto! Mas o que fazer com banco de horas e horas extras na 5x2?
Depois que sua nova escala operacional estiver aprovada, olhe para o banco de horas:
- Apure o saldo de cada colaborador na data de corte
- Identifique quem tem crédito e quem tem débito
- Entenda qual acordo rege cada banco
- Registre os respectivos prazos de compensação
- Defina como os saldos serão tratados durante a transição
Resolva tudo o que diz respeito ao formato de jornada anterior para, então, começar do zero o controle dos saldos da nova jornada.
A escala 5x2 reduz o salário do trabalhador?
Não necessariamente. Inclusive, no cenário previsto pela PEC 221/2019 e, portanto, havendo o fim da 6x1 e a substituição dessa escala pela 5x1, porém, a redução da jornada semanal seria feita sem redução salarial.
Independentemente disso, para qualquer alteração de salário, as empresas precisam considerar a jornada contratada e as regras aplicáveis a ela, indo muito além da quantidade de funcionários.
Como calcular salário na escala 5x2?
Pondere:
- Quantidade de funcionários
- Custo da hora
- Horas extras previstas
- Reflexos dessas horas
- Saldo e compensação do banco de horas
- Eventual necessidade de reforço da equipe
Fazendo isso, você conseguirá até mesmo saber se será preciso contratar mais gente para sair da 6x1 ou não.
Outras alternativas são reorganizar horários e turnos, redistribuir funções, rever a cobertura mínima onde isso for operacionalmente possível, mudar processos para ganhar produtividade ou até negociar outros formatos permitidos para as categorias.
Simulação de migração da escala 6x1 para a 5x2
Vamos voltar à equipe de 12 pessoas trazida como exemplo anteriormente e que, na escala 6x1, oferece 72 dias-pessoa por semana, enquanto, na 5x2, passa a oferecer 60!
Imagine que essa equipe trabalhe em uma operação aberta todos os dias e que, depois de analisar o movimento, os RH e gestores da empresa em questão cheguem à seguinte necessidade mínima:
- 8 pessoas trabalhando por dia de segunda à quinta-feira
- 9 pessoas trabalhando na sexta-feira
- 10 pessoas trabalhando no sábado
- 7 pessoas trabalhando no domingo
- Total: 58 dias-pessoa
A primeira conta fecha: a equipe oferece 60 dias-pessoa na 5x2, e a operação precisa de 58, mas isso não significa que basta o RH escolher duas folgas para cada colaborador e voilá!
Se quatro pessoas folgarem no sábado, por exemplo, restarão apenas oito trabalhando em um dia que exige dez.
É aqui que entra a distribuição priorizando os dias de menor demanda, a conferência das funções que precisam obrigatoriamente de substitutos e a garantia de que a cobertura mínima seja respeitada em cada dia e turno, entende?
Depois, o RH ainda precisa fazer a mesma conferência com as horas!
Se estiver simulando o cenário final previsto pela PEC que extingue a 6x1, os 12 colaboradores terão jornadas de 40 horas semanais.
Distribuídas igualmente pelos cinco dias, serão 8 horas diárias por pessoa, e os horários de entrada, saída e intervalos precisam ser encaixados de forma que os postos permaneçam cobertos durante todo o período necessário.
Suponha, então, que a primeira versão da escala deixe o sábado coberto, mas faça dois colaboradores ultrapassarem a jornada para sustentar o horário de maior movimento: um problema foi resolvido, mas outro foi criado, daí a importância de deste e validação.
Nesse momento, também será fundamental conferir a CCT ou o ACT da categoria, as regras para domingos e feriados e as condições de compensação aplicáveis, comparar e acompanhar dados e ouvir gestores responsáveis pelas áreas.
A simulação só fecha quando três coisas fecham juntas: cobertura da operação, jornada dos colaboradores e regras aplicáveis à empresa.
Sua empresa está pronta para migrar da 6x1 para a 5x2? Salve este checklist
Caso a ideia seja adequar-se à PEC 221/2019:
[ ] Há pessoas suficientes em todos os dias, turnos e postos?
[ ] Os dois dias de descanso foram distribuídos sem deixar furos?
[ ] Horários, intervalos e carga semanal estão corretos?
[ ] Contratos, CCTs ou ACTs e normas da categoria foram conferidos?
[ ] Você projetou horas extras, banco de horas e eventual necessidade de reforço?
[ ] A escala funcionou quando aplicada a uma semana real da operação?
[ ] Gestores e colaboradores sabem como e quando a mudança acontecerá?
[ ] Seu registro de ponto e controle de jornada estão adequados às novas necessidades?
[ ] No sistema, a nova jornada, escala, folgas e regras de apuração foram parametrizadas?
Migre para a 5x2 com a Coalize
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Boa sorte no processo!
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